Gustavo Coutinho Meyer
O Louco
Alguns tarólogos começam a Jornada pelo personagem – O Louco – a carta sem número, ou “0” para outros. Ou, ainda para outros "22", a última etapa da Jornada.
Se entendermos O Louco como o Ser que inicia a Jornada, sem nenhuma experiência vivencial, sem nenhum conhecimento, semelhante a imagem de uma criança, na sua primeira infância, ainda sem nenhuma consciência de si mesmo; podemos compará-lo aos primeiros hominídeos terrenos, há muitos milhões de anos atrás, quando os primeiros espécimes ainda não tinham noção de nada, nem de si e nem do mundo.
No entanto, ele traz consigo, de forma inconsciente, o seu real objetivo – desenvolver-se através das experiências diárias, conhecer-se e aprimorar-se, gradativamente, quanto mais compreender a si mesmo. Por essa razão, as cartas dos principais baralhos de Tarot, apresentam a figura O Louco, como um jovem; com um semblante sereno e inocente; carregando uma mochila às costas, que simboliza a bagagem acumulada através do conhecimento adquirido pelo caminho; além de outros detalhes que variam de acordo com os vários desenhistas, da enorme quantidade de cartas que existem.

Esta carta representa uma pessoa, evento, ação, situação no seu momento mais inicial ou primário.
Alguém ingênuo, imaturo, sem compromisso, sem cuidado, sem limites, sem regras... Portanto, impossível de se confiar.
Ele não conhece nenhum sentido de pertencimento. É livre para ir e vir, conforme sua vontade. E não é assim, por maldade ou qualquer outra interpretação desqualificante, não. Ele é assim, porque só deve obediência, respeito, consideração... a si próprio.
É alguém que vive como se não existisse mais ninguém no mundo.
Portanto, uma carta que deve ser respeitada, no sentido de - tomar cuidado para não se decepcionar, pois ele/a não pensa ou sente como uma pessoa “madura”, socialmente falando.
Não é inteira e definitivamente mau e nem o inverso. A leitura correta depende das cartas associadas.
Todas as outras etapas da Jornada, são a representação do "Louco", cada vez mais consciente de si e, consequentemente dos outros.